Tal como nos outros anos, este ano não fiz balanços nem estabeleci objectivos para 2016. Tenho uma lista de coisas que quero fazer, mas como fazem parte do dia-a-dia não lhes quero dar muita importância. Na minha opinião, quanto mais atenção lhes dou ou quanto mais penso nelas pior fico e mais depressa desisto de as cumprir.
O mesmo não se passa com o blog. Quero aproveitar a minha "nova condição" para trabalhar mais nele e aproveitar para "puxar" pela comunidade de blogs que me rodeia. Não tenho o mega-segredo-que-vai-trazer-sucesso-a-rodos, mas tenho algumas soluções que sei que vão ajudar. A propósito disso, tentei fazer futurologia para 2016. Como será o novo ano para os blogs?
A resposta é simples: não sei mas o que quer que o ano traga, vai passar por muito trabalho. Não é fácil tentar descortinar como será o futuro de uma área que tanto pode dar como pode tirar, onde hoje estamos no topo para amanhã estarmos na fossa e sem modo de lá sair. O que sei é que vamos ter que dar muito ao dedo e trabalhar, minha gente!
A coisa é simples: todos sabemos que ter um blog dá trabalho, custa tempo e por vezes dinheiro. Convém que tudo isso seja aplicado e gerido da melhor forma, de preferência em posts originais, com boas fotografias e sobre assuntos que todos gostem. Atenção, não é só pegar no último red carpet, fazer copy/paste das fotos com uns comentários queridos ou arrasadores e esperar que nos façam uma standing ovation. É preciso puxar pela cabeça, fazer que todo o post agarre o leitor de tal modo que vai querer voltar mais vezes para ler o que publicamos. Não é fazer um post a pedido de uma marca, com um texto lamechas que se vê logo que foi copiado de um press release (e a piorar, ver que mais 10 blogs escrevem sobre o mesmo, no mesmo dia e que 9 deles copiaram o mesmo press release. Senhores das marcas, será que podiam ter mais atenção a isto?). O que eu quero dizer é que se pode fazer um post bom, com um bom texto, até de um rolo de papel higiénico cuja única função é limpar-nos o traseiro e ficar ali pendurado e abandonado na casa de banho. É preciso sermos diferentes e escrever o que sentimos. Fazer com que aquilo que se lê tenha sentido. Fazer com que o nosso conteúdo tenha conteúdo. Não é só escrever do fundo do coração, é escrever do fundo do dedo grande do pé.
Estas primeiras três semanas têm sido terríveis. Como sabem, as Leituras ao Pequeno Almoço de Domingo alimentam-se do que se publica por aí. Não o faço por falta de assunto mas sim porque acho que a colaboração entre blogs é do mais saudável que há. Tal como descubro muitos blogs assim, também eu gosto de divulgar coisas que acho interessantes. É mesmo assim; eu dou, tu dás, ninguém cobra porque ganhamos todos. A parte do "ganhamos todos" ainda não é percebida como deve ser, o que é uma pena. A produção dos outros blogs nos últimos tempos é uma miséria (e deste também!) que não merece ser partilhada com ninguém. Vejo blogs com 10 (10!) posts por dia em que o único propósito é vermos que são muitos profícuos na produção de posts; conteúdo 0. Blogs a falar do mesmo que os vizinhos. Blogs que deixam de aparecer - como eu, por vezes - porque o que nos rodeia é tão fracote que até nos põe os neurónios a dormir.
Pois, mas não é por aí, é exactamente o contrário; queremos conteúdo a sério, com fotografias lindas e um design bonito. Queremos ver um trabalho que se note que tenha sido pensado do princípio ao fim. Quero bloggers preocupados com o que publicam e não preocupados em divulgar o giveaway de uma esfregona com um par de luvas de borracha.
Volto a dizer: um blog dá trabalho. Façam com que esse trabalho valha alguma coisa. Façam com que o momento em que carregam no Publish vos faça sentir um arrepio na espinha. Trabalhem com o coração e com a cabeça em doses moderadas e equilibradas. Vamos a isso?
PS - às vezes tenho dificuldades em passar para o "papel" aquilo que me vai na cabeça. Se precisarem de um post mais "claro", leiam a Catarina, aqui.