Mindfulness




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Nem sempre os dias são frescos e fofos como gostaríamos ou como quem vê de fora acha que são. São dias pesados, em que passamos de uma tarefa para outra de forma automática, em que nem sabemos como chegamos ao escritório de manhã. São cada vez mais assim e assusta-me este "cada vez mais".
Há uma coisa que tento fazer todos os dias que me ajuda: despejar a cabeça para uma - ou várias - folhas de papel. Se o fizer de manhã, é basicamente despejar sem nexo, tirar a bicharada da minha cabeça. Se o fizer à noite é para agradecer, reflectir sobre como foi o meu dia. Já pensei em despejar para aqui, mas há coisas que são tão nossas que me custam mostrar. E por outro lado não acho que fosse justo encher-vos os ecrãs de conversa que só a mim me diz alguma coisa. Talvez um dia tente. Até pode ser que ajude. Até pode ser que encontre por aí outras almas perdidas com o mesmo problema que eu.
No meio deste leva e traz de dias cheios de tudo e de nada, nem escrever consigo. Escrevo mentalmente - o que é terrível, porque a ideia é debitar para uma folha de papel e aliviar o que vai cá dentro - mas não ajuda. A maioria das vezes adormeço e tenho a noção de que nem uma linha "escrevi". Não me chega porque não consigo. E como a vida é difícil e cansa, chegamos a alturas em que nem percebemos bem o que andamos aqui a fazer. Sentimo-nos perdidos e desesperamo-nos para saber para que lado nos devemos virar. O cansaço dá cabo de nós, passamos a trabalhar em piloto automático e a achar que estamos a dar o melhor de nós. Não. A pior parte é saber que temos de parar e não saber como.
Foi no meio desta confusão mental toda em que vivo - uns dias mais, outros menos - que encontrei o Mindfulness (a melhor tradução que encontrei foi "atenção plena" - entre outras fantásticas como "experiência de quase morte"). Já não sei como lá fui dar, mas o que sei é que gostei do que encontrei. Uma forma de meditação que nos faz esvaziar a cabeça, concentrarmo-nos em nós (no caso, na respiração) e, espero eu com o tempo, me ajude a clarificar uma série de minhocas e dúvidas que pululam o meu cérebro de feijão. Basicamente, com 5 a 10 minutos por dia de meditação aprendemos a largar o stresse, a ansiedade e até a procrastinação, essa coisa tão na moda. Em última análise, ajuda-nos a encontrar o caminho para uma vida com mais energia, paz e uma vida melhor. 
Aliás, hoje uma amiga enviou-me o link para um vídeo que a define na perfeição: "O alívio de poder parar." E se pensarmos bem, é mesmo isso. É termos a capacidade de parar para organizar as ideias, arrumar a cabeça, liberta-la do que não interessa que acaba por ser aquilo que mais nos incomoda. Esta é uma interpretação muito básica, é a minha que ainda agora comecei e ainda nem consegui incutir o hábito de meditar todos os dias. Ah sim, é meditação, sim. Mas do que tenho visto e feito, é muito mais simples do que tudo o que tenho visto até agora. E pode ser uma ajuda para alcançar algo maior e melhor. Há dias em que mal posso esperar por parar e sentar-me dez minutos. Há dias em que nem me lembro que o devia fazer. Mas nos dias em que o faço, sinto uma diferença brutal. E o melhor é que pode ser feita - pelo menos iniciada - com alguma orientação (eu uso a app Breathe e o livro da foto - The Little Book of Mindfulness ) que se encontra facilmente. Não é dificil e tenho a certeza que abre portas para coisas maiores. Só tenho de chegar à fase de a saber usar sempre que for preciso, ainda que seja preciso muito treino.
Olho para o inicio deste post e vejo que já escrevi mais do que o normal. Se calhar até acabei por usar este post como escape. Mas aproveito para dizer que a culpa é da Márcia, que sugeriu que o escrevesse depois de ver a foto acima no Instagram. E também de mais uma série de gente que me perguntou o que é que eu andava a ler, se resultava, qual a minha opinião. Aqui têm: ainda não começou a resultar, mas sinto algumas mudanças. Espero que agora percebam, quando disse que havia livros que queria ler este ano, que esperava que me ajudassem. Aqui têm.
E vocês, já conheciam o Mindfulness? Que métodos usam para organizar a cabeça?

Foto by Moi

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  1. Desde que fiz o retiro espiritual na India aprendi a meditar 10 minutos de manha logo que acordo, mas com isto das viagens nao consigo adquirir o habito, penso que me falta um cantinho, um altar com pedras e objectos que nos sao queridos e com uma energia que nos ajuda.
    Outra coisa que faco quando estou stressada, vou sozinha po campo, conectar me com a mae natureza faz com que large toda a carga negativa e chegue a casa outra Marta.
    Uma boa alimentacao ajuda! Ficar de jejum de 2 a 7 dias tambem mas sei o quanto custa nesta vida acelarada que andamos.
    Outra coisa que esquecemos e muito importante, arranjar tempo para "me time", aquela hkra que vamos levar uma massagem, vamos ao jardim ler um livro, almocar num local que adoramos com direito a sobremesa. Eu prezo muito muito muito o meu free time, pelo menos uma vez por semana, tiro um dia, tarde ou manha para fazer coisas que me fazem muito feliz =)
    Espero ter ajudado nalguma coisa! Beininhos

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    1. Claro que ajudaste!!! Eu medito à noite, antes de dormir, mas acho que há dias em que estou tão cansada que a coisa "não dá". Quanto ao Me Time, sou das maiores defensoras deles! E sim, nem que seja uma hora por semana, ver umas montras, estar quieta a olhar para o nada, ler um livro... Ou fazer como faço às vezes - tiro uma sexta feira de férias em altura de aulas e pronto! Acho que o free time é das coisas que mais devemos prezar. Beijinhos e obrigada pelas dicas preciosas!

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  2. Olá Ana!

    Há pequenas coisas que podemos fazer para melhorar a nossa estar perante a vida. Claro que na teroria as coisas são sempre mais fáceis e às vezes como os problemas que nos vão surgindo na prática as coisas são difentes. Mas na verdade depende de nós a forma de encarar as coisas e a maneira como lidamos com elas.
    De há uns tempos para cá tive que fazer uma enorme alteração na minha alimentação, e é incrivel como isso me alterou como pessoa, para além de me sentir muito melhor fisicamente,mentalmente também notei uma diferença enorme, sinto-me com muito mais energia, e isso faz com que me sinta mais optimista em relação ao resto.
    Levanto-me todos os dias mais cedo para poder fazer algumas tarefas domésticas, para tratar de mim, para poder namorar o meu pequeno almoço e ainda ler um pouco. Ao fazer isto estou a tratar de mim e isso faz-nos tão bem.
    Também faço uma pequena meditação logo pela manhã.
    Não sei se isto te vai ajudar mas nã custa tentar.
    Muito obrigada pela dica do livro, o título soa-me muito bem.
    Beijinho e tem um bom dia.

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    1. Olá Catarina!
      Sem dúvida que a mudança na alimentação trás alterações muito grandes - talvez o faça um dia, mas por enquanto é dificil porque tenho uma criança na fase em que tudo é horrível e o prato preferido são bifes e batatas fritas ;).
      Quanto ao resto, já vi que a meditação matinal é a preferida por muitos - se calhar vou passar a faze-la de manhã, pode ser que dê melhores resultados! Obrigada e um beijinhos!!

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  3. Dou-te os parabéns por este post, pela coragem de escrever o que também é realista e franco.
    Nem todos os dias são perfeitos para toda a gente, mas também não é preciso chorar para o mundo o que de pior nos acontece. Eu antes entretinha-me imenso no nosso jardim... agora tento estar mais atenta aos sítios por onde passo e procurar neles algo que me desperte interesse. Estou a tentar aprender a fazer coisas novas, como estudar alguns temas que me interessam, fazer outro tipo de trabalhos manuais. Ouvir pela manhã podcasts que incentivem a começar um bom dia, como orações e meditações. A alimentação é importante, mas como perdi mt peso em semanas, estou a comer de tudo embora com dificuldade.... mas preparar um bom e bonito pequeno-almoço como referiu a Catarina é uma lufada de ar fresco para começar um dia com energia! A mim o que mais me alivia o stress e os momentos menos bons é infiltrar-me no meio da natureza e compactuar com esse espírito que é sereno e belo. Mas a verdade está sempre dentro de cada um de nós, o caminho é saber chegar lá. Obrigada a ti por este post!

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    1. Sim, é mesmo por aí Márcia. Leva tempo, mas temos de ser pacientes e saber que não é de um dia para o outro nem desesperar por demorar. Paciência e perseverança. Obrigada a ti por me ajudares a deitar cá para fora! Beijinhos!

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  4. Só hoje tive disponibilidade para ler este post com atenção. E ainda bem que o fiz. Mudei os meus planos, saí à rua para apanhar sol, ver natureza e casas, fotografar. E daí surgiu um post novo para o meu cantinho... ;)
    Obrigada pela inspiração Ana!

    Esta troca de ideias e pensamentos só faz bem.
    A mim ajuda-me parar de vez em quando e deixar as coisas que tenho para fazer em standby. Ajuda-me correr ou um fazer outro exercício físico qualquer que me faça sentir realizada, mas que de preferência permita o contacto com a natureza. Ir à praia e caminhar pela areia sozinha. Conversar com uma amiga daquelas mesmo a sério, despejar alguns dos meus pensamentos. Ler...
    Bjs e bom fim de semana!

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    1. D. só de saber que te ajudei já me ajudaste! Sim, é bom deixar tudo para trás, parar por uma hora, tratar de nós e da nossa cabeça... E agora vou ler o teu post.
      Beijinhos e muito obrigada pelas tuas palavras!

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  5. Este teu post faz-me mais sentido do que gostaria de admitir. Essa sensação de vida que corre e nos atropela e às tantas nos passa um pouco ao lado por ser dificil agarrá-la às vezes da-me vertigens... e medo de a estar a desperdiçar nem sei bem com quê.
    Nos dias piores, tenho tentado usar o breathe para relaxar um bocadinho. Outra coisa que me ajuda é uma app simpática que se chama YOU. Mas lá está, não estás sozinha, e confesso que não deixa de ser bom ver que não estamos sozinhas neste "problema".
    Um dia de cada vez ;)
    Bjo

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    1. A rapidez desta vida assusta-me imenso e preocupa-me o facto de andar aqui tipo carneirinho mas também não saber o que fazer (ou saber e ter medo de arriscar) para me deixar disso. Também uso o Breathe nos dias piores (queria ser mais constante) e vou espreitar a You. MAs é bom saber que não sou só eu... Ainda temos de fazer um grupo de auto ajuda!

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  6. Descobri o verão passado e adoro!!! Adoro o Headspace.com, mas só depois de fazer um curso de introdução que incluía práticas de Mindfulness é que fiquei a perceber melhor a coisa! (apesar de já ter lido dois livros: Fully Present da Susan Malley e Diana Winston e o Full Catastrophy Living do Kabat Zinn) Tento fazer 20 minutos por dia e é a melhor prenda que dou a mim mesma :-). No I

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    1. Huummm...afinal somos mais do que eu pensava! É essa prenda que também quero dar a mim mesma todos os dias. Não o faço sempre, mas quando faço sinto-me lindamente! E vou espreitar esses livros. Beijinhos!

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Eu sei que comentar é uma chatice, mas adoro saber as vossas opiniões. Obrigada!!