Da boca para fora




Emily McDowell via The Milk Blog

No Domingo não houve post porque "aquela cena" em Paris abanou-me mesmo. Ainda que eu tente filtrar certas coisas e que não passem para aqui, há alturas em que não se consegue. Foi forte demais, foi bestial (no sentido lato mesmo, não no sentido em que costumo usar de "Que fantástico!"), foi desumano. Mas a vida tem de continuar e ficar em casa a olhar através da janela, semi resguardados pela cortina não nos vai ajudar nada.

Emily McDowell via The Milk Blog

A propósito disso e de situações complicadas em que é suposto as pessoas dizerem frases lapidares (que eu chamo carinhosamente de "frases de roto"), cheias de sentimento e com um passe para o seu ombro para podermos chorar à vontade, dei por mim a pensar no que teria de dizer a alguém que estivesse envolvido com essa catástrofe. O que me veio à cabeça de imediato foi "Que cena do caraças, pá. Precisas de alguma coisa? Se quiseres ir beber um copo diz". É óbvio que esta tirada se dirigiria a alguém que estaria "pouco" envolvido. Mas, pior ainda, dei por mim a perceber que tenho o condão de só conseguir dizer aquilo que não é suposto mas que ainda assim toda a gente gostaria de poder dizer, mas não o faz porque "fica mal". Ah! O eterno "Fica mal, o que vão pensar de mim?", aquele momento em que estamos num velório e só nos vêem disparates à cabeça, anedotas porcas incluídas. A altura em que devíamos dizer "Agora está num sítio melhor" mas que só nos sai um "Já está, agora vais ter algum descanso, porque estes últimos tempos têm sido terríveis". Por isso é que fico calada, sorrio, dou um beijinho e pronto. E o mesmo se aplica a casamentos ("O lombo estava um pouco seco e quando cheguei à mesa das sobremesas já não havia arroz doce, mas o teu vestido é lindo! Não exageraste nesse decote?"), aniversários ("Oh e pensar que o sacana ainda há um ano te deu um parto de 50 horas e que juraste nunca mais ficar grávida!"), baptizados e por aí fora.

Emily McDowell via The Milk Blog


Por isso é que fiquei contente por ter descoberto os Empathy Cards da Emily McDowell. Definem-se por ser Support for Serious Illness and Loss e achei-os fantásticos por porem por escrito aquilo que muitas vezes nos passa pela cabeça e não dizemos porque não devemos ou porque simplesmente não sabemos o que dizer. A verdade é que, tal como a Emily diz, estes cartões foram feitos porque ela achou que era necessária uma forma melhor e mais autêntica de comunicar com quem precisa do nosso apoio. Achei a ideia brilhante. Às vezes pôr por escrito custa menos e tem a vantagem de poder ser guardado. E lá porque se escreve não significa menos. Antes pelo contrário; assim temos a certeza que fica tudo muito bem percebido. Não é? :)

Emily McDowell via The Milk Blog


Imagens de Emily McDowell (visitem o site porque o trabalho da Emily é fantástico)

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  1. Bolas!!!!!! É mesmo!!!! Acontece-me tanto, mas fico calada dou um beijinho e sorrio...

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    1. e mais o "aperto" no cotovelo! Lembrei-me dessa agora!

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Eu sei que comentar é uma chatice, mas adoro saber as vossas opiniões. Obrigada!!